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O Unicórnio

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O Unicórnio

12
Jan16

Este texto é agressivo, portanto, não o leiam.


O Unicórnio

Quando se tem um bebé pequeno em casa tudo muda, principalmente a disponibilidade / tempo / vontade para os outros . É impensável querer que o nosso tempo continue a ser o tempo antes da chegada de um bebé e mais impensável ainda, é querer fazer as mesmas coisas que se faziam. Aquelas mães aprumadas com bebés de meses que têm tempo de ir ao cabeleireiro, à manicure, ao cinema, ao ginásio, que saem pra beber café diariamente com as amigas e afins, só podem ter em casa uma de duas coisas (ou então as duas); um marido ou uma empregada a tempo inteiro. Não me venham cá com coisas que “tudo é uma questão de organização” que é mentira.

O que mais me custa, é por vezes ouvir certos comentários de pessoas que não fazem a mínima ideia de como é a vida depois de se ser mãe, mas que se julgam no direito de opiniar e criticar a dependência que é (boa dependência esta ) de estar em casa com um bebé. Passo a transcrever alguns desses comentários que já me foram dirigidos;

“Nunca mais foste arranjar as unhas, olha-me essa vergonha.”

Pois gostaria muito de ir arranjar as unhas, o cabelo, as sobrancelhas, aparar a patareca, aclarar o buço e afins,  mas não consigo. E não consigo porque isso requer tempo que eu não tenho e mesmo que o tivesse, preferia estar em casa a cuidar / brincar com o meu filho. Terá que ficar tudo isso para daqui a uns tempo quando ele for mais crescido. Obviamente que não estou um monstro peludo, malcheiroso e matrafão, mas não faço essas coisas semanalmente como fazia antes de ter o Francisco.

“Estás gorda, ainda não perdeste esse peso”.

Não, não perdi, ó estafermo! E não perdi por vários motivos. Não posso fazer dietas muito restritivas porque amamento, amamentar dá-me fome e tenho muito mais que fazer do que andar a definir hora a hora, abdominais ao espelho. Repito; não estou nenhum monstro de 100 quilos, mas também já não tenho os 59 que tinha e talvez nunca mais lá chegue, mas tenho a certeza que ficarei mais magra, tudo a seu tempo e já estou no bom caminho. Isso entristece-me? Adoro não ter excesso de peso, mas como diz a minha irmã; “vale mais gordinha e gira, do que magra e feia”, tomem lá.  

“Quando vais beber café comigo? Passas o dia em casa com o puto, pá!”

Pois passo e é porque quero. Quando a minha mãe vem cá ter connosco a casa, não sou capaz de desgrudar do meu Francisco e ir dormir toda a tarde ou passear com as amigas. Se tenho que sair, saio e volto a correr. Há quem chame  “amor” a esta dependência... vá se lá saber porquê.

“Gostas tanto de estar profissionalmente activa e ainda estás em casa?”

Estou e estarei mais uns meses. Ninguém trata do meu filho como eu, eu sou a mãe, ele é dependente das minhas mamas e não quero já traumatizar o miúdo, tirando-lhe o que ele mais gosta. Imaginem que vos faziam o mesmo?! Cruel, não? E para mais, nunca estive em casa  “só porque sim” e também é um direito que me assiste. Se posso ficar, ficarei.

“ Vai apanhar ar que eu tomo conta do puto”.

Já ouvi esta muitas vezes de amigas, mas nunca nenhuma me apareceu à porta para tal.

 

Este é um tema que dá “pano para mangas”, mas não me posso alongar, ou dirão que sou bruta que nem uma porta e rebéubéubéu.

Bem, vou ali passar com a gilette nas virilhas que os pelos já rompem para fora das leggings. Beijinhos e abraços.

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