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O Unicórnio

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O Unicórnio

01
Abr16

Uma noite do caraças. PARTE I


O Unicórnio

Ontem dediquei parte da minha noite às memórias, lembrando situações cómicas vividas com amigos e dei por mim a rir, sozinha. A morte do Vasco fez-me pensar nos amigos de longa data e no que já vivemos juntos. Afinal, no nosso fim, naquele que calha a todos, na velhice ou não, somente isto perdurará; memórias.

Entre muitas outras, recordei uma noite de há dois anos atrás em que decidi com três amigas, ir jantar fora e de seguida,  abanar as peles para a discoteca. Coisa rara, pois desde que casei que este corpo esguio e elegante (glup!) se entrou numa discoteca duas vezes, foi muito.

Doidas por termos deixado os homens em casa, decidimos num ato de extrema loucura ir para uma cidade que fosse deveras cosmopolita, onde pudéssemos respirar a agitação noturna, adrenalina, onde víssemos gente gira, bem vestida e diferente e que nos oferecesse uma noite inesquecível. Para onde fomos? Adivinhem lá! Santarém. Pois. Riam-se à vontade pessoas, riam-se. A única vivalma na cidade naquela noite, deambulando pela rua, era um senhor meio bêbado a fazer chichi atrás de um poste. De resto? Um deserto. Ai Santarém, Santarém, onde escondeste o vigor de outrora? 

Fomos jantar à taberna Ó Balcão. Comemos e bebemos que nem alarves, mas alarves de saltos altos. Enchemo-nos de farinheira, chouriço, pão, sangria, entremeada, sangria, omelete de farinheira, sangria, pão de milho, sangria e para sobremesa, vinho da casa misturado com sangria.   

Ficámos bem dispostas e anafadas, um pouco coradas e faladoras, coisas típicas de um jantar com quatro trintonas / quarentonas que nunca saem de casa e que têm muitas vezes, por companhia, a revista Burda de 1978.

A minha amiga Adriana Lima no fim do jantar, pasmem-se, teve que abrir dois botões das calças para conseguir mexer as pernas. Foi uma noite dura para a Adriana, tive pena dela, coitadita. Tinha ido nessa tarde fazer o buço e ficou com uma reação alérgica na bigodaça, mas nem isso a impediu de ir jantar. Os amigos são assim, mesmo com o beiço inchado não se negam aos apetites. 

Findo o repasto, decidimos ir para discoteca. Optámos pela Respublica, um espaço relativamente novo de uma colega minha da faculdade. Entrámos e sentámo-nos as quatro lado a lado numa chaise longue que estava na entrada. Para nos ambientarmos ao espaço e entrarmos no ritmo da noite, fomos buscar bebidas e sentámo-nos a conversar. Meia hora depois, estranhámos não entrar mais ninguém, só os funcionários do bar. Continuámos a beber e a confraternizar e cada vez mais a alegria se instalava. 

A minha amiga Xanuka de Albuquerque que é fanhosa, (este pormenor pode não parecer importante para o texto, mas é), levantou-se e dirigiu-se a um porteiro para tentar perceber porque raio é que a discoteca estava vazia.

A pobre coitada voltou num pranto desmedido. As lágrimas corriam-lhe pelo rosto de par em par.

- Que se passou Xanuka, fofa? - perguntou-lhe Pureza de Almeida (outra das minhas amigas, fina que só ela). 

- ´Erguntei-lhe orque é que insto ava azio e ele iu-se. Ata a ozar omigo por er anhosa´ - respondeu a Xanuka. Traduzindo; Perguntei-lhe porque é que isto estava vazio e ele riu-se. Estava a gozar comigo por ser fanhosa. 

Epá, ouvindo isto, senti-me a ferver. Levantei-me cheia de revolta, toda eu borbulhava, dirigi-me ao porteiro e disse-lhe de dedo em riste: 

- Ouça lá meu menino, aquela moça (apontei para a Xanuka), perguntou-lhe porque razão a discoteca estava vazia e o senhor riu-se?! Não sabe que não se deve  fazer pouco das fragilidades dos outros?! 

- Ó minha senhora, ri-me porque são dez da noite. Queria ter a discoteca cheia a esta hora?! 

Virei-lhe as costas, meti o rabo entre as pernas e desapareci envergonhada por entre as brumas. Dez da noite e nós à espera que a pista abrisse.  

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