E é isto.
O Unicórnio
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O Unicórnio
O Unicórnio
Acordei determinada, corajosa, motivada, cheia de genica para cuidar de mim, uma valentona. Explicarei adiante o porquê.
Tenho vivido estes seis meses para o meu Francisco, para atender a todas as suas necessidades, para lhe prestar todos os cuidados, tentando ser melhor mãe possível, tal como fazem todas as mães, ou quase todas. Esqueci-me de mim, das minhas sobrancelhas, da depilação, de pentear e pintar o cabelo, da roupa gira de inverno que está a ganhar mofo, de ir beber café, de conversar com as amigas.
Depois de uma depressãozita pós parto, só agora é que tenho conseguido libertar-me um pouco desta dependência que sei ser «exagerada», de não conseguir estar longe do meu filho durante cinco minutos. De vez em quando já consigo sair sozinha e deixá-lo (devidamente acompanhado, é claro), mas não é fácil.
Ele manda em mim, sem dúvida. Obviamente que este é um «emprego» maravilhoso e o patrão não poderia ser mais bonito, cativante e simpático, mas confesso; é cansativo como o caraças, porra! Acorda, mudo a fralda, mama, faço a cama, as camas, levanto-o, brinco, como o pequeno almoço, brinco, coloco-o a dormir, apanho roupa, estendo roupa, passo a roupa, às vezes quero é que a roupa se fornique, varro o chão, lavo a loiça. Ele acorda, levanto-o, dou a sopa, a fruta, arrota, brinco, fica com sono, dorme, almoço, lavo a cara, os dentes, ele acorda, mama, arrota, brincamos, mêrapaz chega. Faço o jantar, preparo-lhe o banho, janta, arrota, cama e dorme. É isto mais ou menos a vida de quem está em casa com um bebé, ou pelo menos, a minha é assim. Obviamente que adoro estar e cuidar dele, mas sei que também preciso de recomeçar a viver a minha vida, a retomar os meus hábitos,a minha vida profissional e social.
O tempo não tem ajudado a sair, tenho passado os dias de pijama e a vontade de me arranjar, de vestir algo mais ousado, de passar um baton, é nula. O mêrapaz sai de casa, estou de pijama, chega a casa, estou de pijama. Deve andar com a líbido de uma amiba. Mas hoje não, caraças, hoje não!Hoje foi diferente! Olhei-me ao espelho e pensei:
«Unicórnio, solta a crina e veste outra coisa. Uma camisa, põe um colar, deixa lá a merda do pijama».
Posto isto e imbuída deste espírito renovador, desta brisa de optimismo, deste rasgo de consciência feminina e de querer sentir-me de novo uma mulher gira e interessante, sexy e ousada, despi o pijama, abri o armário cheio de roupa maravilhosa e vesti o fato de treino.
O Unicórnio
Para além de ser Unicórnio, sou também «Unimama».
Soprem ó ventos, ressoem trompetas, rufem tambores, tilintem pandeiretas, toquem os ferrinhos que eu, Unicórnio, dou de mamar há cinco meses só de uma mama. Aposto que estão a esfregar os olhos de incredulidade, pensando;
«Como é possível isso Unicórnio, como é possível, caramba pá?»
«Ai ,desgraçadinho do cachopo que anda com falta de nutrientes, que chatice».
«Nossa senhora de Fátima ajude esta mãe que deve ter uma mamalhão cheio de leite e uma mamalhinha que murchou».
Das três assumpções acima possíveis, só uma está correcta, ora adivinhem lá. Pensem o que quiserem caros leitores: só dou mama de um peito e a criança está de perfeita saúde, anafada e bem nutrida.
Tudo começou há alguns meses quando meu querido e adorado Francisco começou a rejeitar a mama direita. Eu insistia. Ele rejeitava. Eu insistia. Ele rejeiva e chorava. Eu insistia e ele rejeitava, brigava, chorava e gritava. Desisti da direita e foquei-me na esquerda e ele adorou a ideia de parar de lhe moer o juízo, agradeceu e assim estamos até hoje.
Não me venham as extremista do *«Aleitamento Materno do VII Dia do Advento do Mamilo» que andam sempre a criticar as mães que por este ou outro motivo, deixam de amamentar, aqui para o meu blog comentar que «deveria ter insistido que ele mamasse da direita» e que por isso sou má mãe, que comigo não têm sorte e lhes faço de imediato um manguito.
«Como é possível?», perguntam vós, curiosos e de boquinha aberta. É perfeitamente possível, respondo. Mama normalmente sempre da mesma e por vezes, só com duas horas de intervalo, o mamão! Obviamente que no início doeu, fez ferida, aquelas coisas todas que sabemos mas ultrapassei o problema e hoje a mama até já tem um calo (mentira). Conto conseguir amamentar até ele querer (se for como o pai quando era pequeno, trarei o meu Francisco agarrado a mim até aos três anos...e que assim seja).
O único caso que conheço igual ao meu foi o da minha avó materna. Minha mãe contou-me que também ela deu mama durante meses a fio só de um peito.
Os médicos ficam sempre pasmados com a evolução do peso do F. e quando lhes conto a situação, ficam surpresos. Eu levo isto a rir, claro, tenho que rir, pois se me focasse na questão de ele rejeitar o peito, tenho a certeza que já não teria leite há muito tempo.
Sou da opinião que a nossa parte emocional é que manda nestas coisas. Mentalizei-me desde que ele rejeitou o peito que conseguiria dar mama sempre que ele quisesse, e tenho conseguido fazê-lo com a maior das naturalidades. Não me encostei à parede a carpir, a lamentar e a desesperar, nada disso. Levei a coisa com leveza e aconselho a quem tenha este ou outro problema parecido com a amamentação que faça o mesmo: aligeire a situação, insista e não entristeça. Caso não consiga por algum motivo e tenha que dar leite artificial (acredito que todas as mães fazem o possível para amamentar ao peito os seus filhos mas por vezes, algo as impede) não se culpe, o seu filho não vive só de leite, mas também de afecto e mimo e isso também alimenta.
Quanto à parte física da coisa ... bem..., digamos que se andarem a passear na rua e virem uma moça a tombar para o lado esquerdo, sou eu.
*«Aleitamento Materno do VII Dia do Advento do Mamilo» – grupo de mães extremistas e radicais que gosta de julgar outras mães que por algum motivo, deixam de poder amamentar ao peito os seus filhos. Normalmente surgem de madrugada nos grupos dedicados à maternidade e punem verbalmente as mulheres que dão leite artificial aos seus bebés, desconhecendo as causas que levaram a essa situação.
O Unicórnio
Unicórnio & Unicórniozinho quando finalmente se conheceram
Francisco nasceu no Hospital S. André em Leiria. Depois de nascer, subimos para o quarto onde ficaríamos quatro dias. Lá, conhecemos uma enfermeira especial. Única. Ela foi o meu descanso, a minha tranquilidade, a minha bússola. Só conseguia dormir quando ela estava de turno. Só tranquilizava quando sentia os seus passos no corredor que de noite me parecia assustador e interminável.
Foi ela que me ensinou o que fazer quando um bebé asfixia. Infelizmente aconteceu três vezes com o meu querido e adorado Francisco. Foi ela que no terceiro dia me ensinou o que fazer para aliviar as cólicas, pois o bebé chorava há duas horas e eu chorava abraçada a ele.
Pediu calmamente que me deitasse. Deitei-me. Pegou no minúsculo Francisco como se ele fosse um boneco. Estranhei, mas deixei. Deu-lhe dez voltas. Pés na cabeça, cabeça nos pés. Deixei. Ele calou-se. Colocou-o no meu peito a mamar e perguntou-me;
«Quer dormir toda a noite? Então deixe-o ficar aqui» - e ele ficou toda a noite na mama, agarrado a mim. Nunca se mexeu, eu nunca me mexi. Lembro-me de olhar pela janela que não tinha cortinas e reparar que lá fora havia uma cidade. Adormeci.
Foi ela que contou umas piadas soltas quando se deu a subida do leite e as dores eram insuportáveis. Foi ela que num dia de visitas, olhou para mim e viu que algo não estava bem. Pediu que todos saíssem. Justificou que estava «na hora de medir a tensão». Era mentira. Estava na hora sim, de ficar sozinha com o meu bebé.
De repente tornara-me mãe e não sabia o que fazer, pensar, agir. Tinha medo de tudo. Queria que ele voltasse para dentro da minha barriga.
Foi aquela enfermeira de carrapito e olhos enormes que me ensinou, juntamente com o meu Francisco, a ser mãe e eu nunca me esquecerei dela.
Prometi-lhe que nos voltaríamos a encontrar naquele sítio quando eu tivesse 40 anos.
Sorriu.
Eu estava a falar a sério.
Chama-se Elizabete Oliveira.
O Unicórnio
...mas que são verdade, verdadinha.
São de domínio público as pérolas que se dizem às grávidas. Normalmente não são ditas com o intuito de meter cagunfa a quem as ouve e são, quase sempre, disparadas por mães que até sabem que por vezes custa estar grávida (ou vão dizer-me que é tudo flores?!) e como a vida se transforma após ter um baby.
Muitas são desnecessárias, incómodas e sem fundo de verdade, mas outras há, verdadeiras, pecam sim pela forma como são ditas, normalmente com entoação dramática e exagerada.
É meu objectivo com este texto, desdramatizar essas mesmas observações verdadeiras e tranquilizar um pouco a minha amiga Cleide (grávida), portanto, aqui deixo algumas, analisadas com muita ligeireza.
«Aproveita para dormir que depois do bebé nascer, isso acabou».
É verdade absoluta. É tão verdade que no meu caso, há muitos meses que não sei o que é ter sono pesado. Não durmo uma noite inteira desde o sétimo mês de gravidez , altura em que umas putas de umas câimbras me subiam pelas pernas acima, provocando-me dores horríveis, insuportáveis. Gritava noites inteiras, contorcendo-me. Meu marido coitado, já delirante ao ver-me a sofrer daquela forma tão perturbante, rezava madrugada adentro aos pés da minha cama, implorando por um milagre a uma divindade qualquer.
Mas não desanimes Cleide, pode ser que nem venhas a ter câimbras.
«Agora é que vais ver o que são náuseas, azia, gases e prisão de ventre».
Sobre este tema não tenho muito a dizer, somente que me sentia o Shrek. Juro que dava arrotos com tamanha intensidade que conseguia com a projecção do bafo, alisar o cabelo do Lionel Richie. Já a azia..., sabes o que é espremer um limão numa ferida? Não tem nada a ver. É mil vezes pior.
Quanto à prisão de ventre e gases... ,conheces aquela fábrica a Cimpor Cimentos de Portugal com aqueles tubos gigantes sempre a despejarem a matéria prima? Pronto, imagina que os entopem e usa a imaginação.
Mas não desanimes Patrícia, pode ser que nem venhas a ter náuseas, azia, gases e prisão de ventre.
«A minha irmã fez tanta força no parto que ficou com hemorróidas».
Nesta é que bate o ponto. Uh la la! Hemorróidas, hemorróidas.. .essas bolas de carne do catano que moram no rabiosque e que curiosas, espreitam à janela.
Não sei o que é. Não fiz força. Fiz cesariana, como sabes. Mas a minha tia contou-me que há 18 anos quando teve o meu primo, fez tanta, mas tanta força que ainda hoje não consegue usar calças nem calções porque «elas» ainda não recolheram. Disse-me também que provocam dores muito agudas, como se uma agulha estivesse a entrar pelo palheiro adentro.
Mas não desanimes Patrícia, pode ser que nem venhas a ter hemorróidas.
«Quando tive a minha Priscila Alexandra levei 45 pontos na boca do corpo».
Ora, a boca do corpo é tramada. Bem que se esforça, mas por vezes o esforço não chega e então, tem que levar um lanho. Minha tia contou-me que quando teve o meu primo, ele nasceu com um perímetro cefálico de 56 cm e que a boca do corpo teve que levar um cortesito (não vou entrar em pormenores, só te posso dizer que dezoito anos depois ,ela ainda se senta em cima de uma bóia).
Mas não desanimes Cleide Patrícia, pode ser que nem venhas a ter que levar pontos na boca do corpo.
«Quantos quilos já engordaste? Estás enorme!»
A melhor resposta que podes dar é a que eu dava quando me faziam esta pergunta. Nem mais nem menos do que isto;
- Olhe não sei, mas sei que a minha gordura é passageira, já a sua é para sempre! - isto claro, só resulta se a outra pessoa for gorda. Se for uma magra a dizer-te isto, faz-lhe um manguito, segue o teu caminho e dá beijinho no ombro.
Olha Cleide, espero ter tranquilizado esse coração ansioso de passarinho frágil. Sabes que podes sempre contar comigo, este teu porto seguro, tranquilizador e amigo. Tua sempre e fervorosa amiga,
O Unicórnio
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... e que valia mais ter ficado calada.
Uma amiga deu-me a notícia de que está grávida. Foi apanhada de surpresa , não esperava engravidar mas está feliz. Se não estiver, três galhetas na tromba e o choque passa-lhe.
Falámos um pouco sobre o futuro e o único conselho que lhe dei como mãe de primeira viagem, foi:
- “Olha Cleide Patrícia não comeces a armar-te aos cucus e a dizer que sabes como será a tua gravidez e como serás como mãe, que se for como me aconteceu, não acertas uma. Se quiseres pormenores, logo à noite explico-te no blog e irás perceber.”
E tal como prometi à Cleide Patrícia, aqui explico o porquê do meu alerta. É que pensamos coisas diferentes antes e depois de ter um bebé.
O que eu pensava antes de ser mãe: «Quando engravidar não vou engordar quilos e quilos».
A realidade: Ahahahahaha. Eu disse isto? Eu, a sério?! Pois olhem, engordei vinte! Atenção que não comi fast food ou bolos. Foi tudo culpa das couves com feijão, do entrecosto com migas, de ter deixado de fumar e pronto, vá lá, do hipotiroidismo. Dez ainda cá moram. Foi incontrolável. Portanto, não digas que só vais comer ervilhas e respirar o sol que não adianta. Dá fome. Muita. Nossa Senhora, tanta fomeca.
O que eu pensava antes de ser mãe: «Quando estiver grávida, não andarei de perna aberta e com as mãos nos rins e a arrastar-me como se tudo me doesse».
A realidade: Mais uma treta das grandes. A partir do sétimo mês só não me arrastei de joelhos porque também não me conseguia dobrar. Era tanto o inchaço e desconforto que por minha vontade, tinha passado as últimas semanas deitada, a ser alimentada à colher e de fralda posta. Caríssima Cleide, deixa-te lá andar normalmente que daqui a uns meses terás um andar novo.
O que eu pensava antes de ser mãe: «Não percebo porque é que algumas grávidas se desmazelam tanto na gravidez, serei uma grávida impecável».
A realidade: Fui uma grávida impecável até ao sétimo mês. Sempre maquilhada, bem vestidinha (apesar da roupa de grávida ser feia de bradar aos céus), até que tudo deixou de me servir, excepto as calças da ginástica e as camisas do mêrapaz. Nem vou comentar o estado das minhas pelosidades que quase se entrançavam, impedindo-me de andar. Aproveita enquanto consegues ver as pernas e a patareca.
O que eu pensava antes de ser mãe: «Depressão pós - parto?! Que é isso? Doença da moda?!»
A realidade: Ora toma lá uma pelo focinho para não seres parva. Tive e bem considerável! Até aos 3/4 meses do Francisco a coisa esteve complicada. Já passou. Um dia esmiuçarei a situação aqui no blog.
O que eu pensava antes de ser mãe: «Se um dia tiver um bebé não irei acostumá-lo a dormir na cama dos pais. É um mau hábito».
A realidade: Oi?! Quê?! Eu disse isto? Não pode. A sério? Desde que uma vez deitei o meu Francisco na minha cama durante a tarde e ele comigo dormiu uma sesta de três horinhas seguidas, que conheci o paraíso.Uma vez por dia, nada me tira o prazer de ver aquela carinha virada para mim a adormecer a sorrir.
O que eu pensava antes de ser mãe: « As minhas amigas mães,dizem que ficaram com menos amizades desde o nascimento dos seus bebés. Isso não acontecerá comigo».
A realidade: ahahahahahahha. E é só.
O que eu pensava antes de ser mãe: «Se um dia tiver um bebé, ele vai para o quartinho dele aos quatro meses».
A realidade: Oi?! Quê?! Eu disse isto? Não pode. A sério? Pois meu Francisco tem seis, e só sairá do meu quarto aos 18!
Anos.
Aos 18 anos.
O que eu pensava antes de ser mãe: «Quando tiver um bebé, ele irá para a creche bem cedo. Não há nada melhor que um bebé em contacto com um ambiente dinâmico e com outros bebés».
A realidade: Mais um tiro ao lado. Ninguém mo tira dos braços. Nem à força. Ainda estou em casa e gostaria de ficar. Preciso de trabalhar, mas amo-o mais que ao dinheiro. Talvez me saia o euromilhões.
Vês, Cleide Patrícia? Deixa-te lá estar sossegadinha a viver plenamente o teu estado de graça, sem aspirações e anseios que isto é tudo muito bonito, mas é quando não estamos ainda bem envolvidos no acontecimento. Desfruta e sorri.
Quanto às pérolas maravilhosas que vais começar a ouvir de outras mães, sobre partos, cocós, patarecas, hemorróidas e afins, amanhã também te explicarei isso aqui no blog. Beijinhos e festas aí no Leandro Emanuel (é um rapaz, não te iludas).
O Unicórnio
Numa conversa com o mêrapaz ao jantar (couves com feijão (da mãe) regadas com azeite de Casével (da sogra), pão caseiro de Alpiarça (do Intermarché) e chá de camomila (da Tetley)) sobre as nossas férias, recordámos um dos nossos verões e uma peripécia que ainda hoje, faz rir os nossos amigos e que partilho aqui no blog.
Há mais de dez anos, fomos de tenda para Vila Nova de Milfontes e ficámos no parque de campismo que estava naquela altura (pleno Agosto), lotado com festivaleiros que iam para o sudoeste.
O ambiente era de bradar aos céus; gritaria, berros e bufas toda a noite, guitarradas e cantorias todo o dia e ao final da tarde a coisa lá amainava, pois metade do parque ou estava em coma alcoólico ou com a moca.
Na nossa terceira noite, resolvemos apanhar um valente pifo (somos assim, quando chega a noite e não temos nada para fazer, entramos em coma alcoólico) e partilhar do ambiente envolvente que se vivia naquele lugar.
No fim do banhinho tomado e bezuntados com Nívea After Sun, dirigimo-nos para o bar do parque de campismo que era maioritariamente frequentado por pessoas com ar de pertencerem ao coro de Santo Amaro de Oeiras.
O barzito estava à pinha. Todos os cocktails tinham o preço único de 1€ e divertidos, bebemos e conversámos até ao início da madrugada. Cada um consumiu o que aguentou e sentíamo-nos estranhamente bem dispostos e sãos; a língua não enrolava, o chão não estava desnivelado e conseguíamos olhar sem desfoque. Até que nos levantámos para ir para a tenda. O caminho para a tenda era estreito e irregular, atravessando todo o parque. De ambos os lados era rodeado de tendas, um passo em falso e cairíamos em cima de alguma.
Passados uns dez minutos comecei a sentir-me zonza, mal disposta e sem equilíbrio e avisei o meu namorado (agora marido) que a coisa estava mal e que não conseguia aguentar-me nas pernas. Nem acabei a frase e fiquei de joelhos com a boca cheia de terra, pois isto de estar bêbado e conseguir controlar olhos, boca, mãos, braços, pernas e a fala, é difícil e alguma coisa tem que ficar para trás. Quando olhei para o lado, já o moço tinha caído para cima de uma canadiana familiar e estava enrolado nos cordéis de um estendal da roupa, lutando para se levantar.
Os dois de gatas, percorremos todo o parque de campismo à procura da nossa tenda que teimava em não aparecer, a grande bicha.
Quase uma hora depois e ambos cada vez mais desnorteados, finalmente encontrámos a dita. Como é óbvio, tentámos nela entrar, mas o simples acto de juntar o polegar e o indicador para abrir o fecho, era gesto impossível. Nem eu nem o mêrapaz tínhamos tento naquele momento para conseguir abrir o pano de entrada. Tentámos, tentámos e tentámos até que me lembrei do óbvio, do evidente, do incontestável ; escavar um buraco. Foi o que fizemos.
Para eu conseguir entrar um pequeno buraquito serviu, quando foi a vez do mêrapaz, a coisa complicou pois 1,94 cm e 100 kg não entram por um buraquito qualquer, pois não, não entram. Cavámos e cavámos e cavámos (sempre com as mãos) e quase de manhã, finalmente entrámos na tenda e adormecemos no chão.
No dia seguinte, fomos acordados por três vigilantes do parque de campismo que estavam boquiabertos e absortos com a visão aquele enorme buraco. Saímos da tenda ainda cheios terra e com a roupa rasgada e foi-nos perguntado qual o motivo daquele enorme buraco . Justifiquei da seguinte forma;
- Foi um meteorito meus senhores, foi um meteorito.
O Unicórnio
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Pela primeira vez coloco uma foto minha e do meu pequeno Unicórniozinho. Que nervos senhores, que nervos!
Dizem que o meu Francisco tem excesso de peso. Diz o pediatra que o segue, a enfermeira e a médica no centro de saúde. O Francisco nasceu às 36 semanas com 3.080 kg, um bebé com óptimo peso, portanto. Se tivesse nascido às 40, desgraçada da minha patareca. Como estava sentadinho e bem confortável , foi de cesariana (tema que abordarei em breve).
Ora o moço, meu rico Francisco, nos dois primeiros meses teve um crescimento lento, sempre no percentil 15, até que a partir dos três meses passou para o percentil 85 (pesa 9.300 kg e tem seis meses).
Ora e porquê?
Porque gosta das mamas da mãe.
Ora e porquê?
Porque as mamas da mãe têm leite.
E porquê?
Porque é do que os bebés se alimentam, pois claro.
O problema do meu filho, diz o pediatra, é que “mama de três em três horas de noite e isso engorda-o”. Sim, verdade, verdadinha o meu filho mama de três em três horas de noite.
O pediatra, diz também que “a partir dos quatro meses os bebés já não precisam de mamar de noite”, ao que eu respondi;
- Não precisam uma porra, precisa o meu que acorda aos berros e mesmo que lhe coloque a chucha na boca ele consegue estar hora e meia a gritar até lhe espetar com a mama!
Bem, adiante. O pediatra, achando-o gordo, receitou Melamil, um suplemento natural que digamos... deveria pô-lo a dormir. Bem, mentalizada pelo médico que realmente o Francisco estava com excesso de peso, dei-lhe aquilo algumas vezes mas não surtiu efeito. Experimentei depois o Alivit Bons Sonhos (um chá) e deu resultado...três vezes.
Conclusão; de três em três horas voltou a acordar para mamar. Então pensei, refleti e é o seguinte minha “gentji”; se é esta a natureza dele, se tem fome de noite, sede de mimo, necessidade de aconchego, saudades da mãe , o que for, só tenho que lhe satisfazer as vontades. Ele tem tempo quando começar a andar de não engordar tanto. Se há quem pense o contrário, que estou a fazer mal, que o deveria por em dieta...parabéns à prima que a burra está bêbada (ouvi isto nalgum lado e achei um piadão, estava mortinha por usar esta frase).
Cada mãe sabe de si e se o meu bebé precisa de mim de três em três horas faz ele muito bem, é reflexo de que tem bom gosto, que gosta de estar bem acompanhado e que gosta de conviver com gente interessante.
O Unicórnio
Nos últimos dias, as revistas de cocó e de chichi nacionais e internacionais, têm dado destaque aos Globos de Ouro e aos figurinos que por lá desfilaram. Analisei "esmiuçadamente" os ditos cujos, cocei a barba enquanto o fazia, chegando à conclusão que não valeria a pena postar os meus outfits preferidos, até porque este não é um blog de moda (vá, de vez em quando não me aguento e tenho que mostrar que tenho bom gosto) e optei sim, por exemplificar o que na minha opinião é uma mulher com classe, elegância, charme, bom gosto, moderação, requinte, fineza, primor, refinamento, sofisticação e o mais importante; que se veste para a idade que tem.
Na minha opinião, não há nada mais feio, triste e de mau gosto do que uma mulher com quarenta anos que se veste como se tivesse vinte e uma de sessenta, como se tivesse quarenta. É triste, desculpem lá, mas é.
Quando tiver sessenta anos, vou ser assim como a senhora da foto, engulo uma ténia e irei manter-me magra e espadaúda até morrer. Usarei diariamente vestidos longos no meu corpo de ampulheta magra, com decote subtil a meio do peito magro e uma leve transparência a cobrir-me os ombros magros e os braços magros. Terei uma cintura assim, magra... abaixo da cintura umas pernas brancas como a neve e magras, sustentadas por uns pés magros.
Apresento-vos a Sôdona Helen Mirren. Gira e cheia de classe, a Sôdona.
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