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O Unicórnio

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O Unicórnio

11
Abr16

Eu não era moça de pires e chávenas e agora já sou. Como eu cresci, caramba!


O Unicórnio

Informo que este post é de minha total responsabilidade e que não foi patrocinado por nenhum marca, o que se querem que vos diga, é uma grande pena. 

Ora, eis que me vejo a uma Segunda - feira em casa com meu pequeno e adorado Francisco (obviamente que gosto de dar um toque dramático a todos os meus textos e este início de post, já faz adivinhar uma descrição poética sobre algo transcendente e deveras importante). 

Pela tarde, minha querida mãe, saudosa de sua filha e neto, visita-me e toda eu me alegro, tal acontecimento significaria que sairíamos juntos. Decidimos, muito bem acompanhadas pelo meu Francisco, apesar do tempo chuvoso e triste, ir conhecer in loco a Mercearia da Praceta. A Mercearia da Praceta é uma loja de bairro muito peculiar situada na cidade do Entroncamento mesmo em frente a Escola Ruy de Andrade e que vende entre inúmeros outros produtos, loiças para o lar.

Despertara-me a atenção a sua página no Facebook e há vários dias que estou curiosa por visitá-la, pois aproxima-se a festa de batizado e aniversário do Francisco e apesar de ser uma comemoração que idealizo simples para família e amigos chegados, gostaria de ter algumas peças que sobressaíssem tanto na decoração do espaço (jardim) como nas mesas. Tenho visto fotografias maravilhosas de alguns produtos à venda nesta mercearia e que são exactamente aquilo que idealizo. 

Acredite em mim o caríssimo leitor, quando eu digo que há dez anos atrás não sairia de casa para ir ver loiças para a casa, mas pasme-se! O tempo muda e os interesses também, e é hoje ver-me a babar a olhar para uma terrina.

Este espaço não oferece peças banais, desinteressantes, vulgarecas com decalques de cavalos e florais berrantes. Tem louças delicadas, minimalistas e elegantes para a mesa e decoração, a preços verdadeiramente soberbos e o mais curioso; vende louça ao quilo. Isso mesmo. Louça maravilhosa ao quilo. 

Escusado será dizer que saímos de lá com algumas peças e que voltaremos muito em breve. Partilho convosco fotos de algumas peças que podem encontrar na Mercearia da Praceta. Agora riam-se à vontade deste meu post à tiazona de Cascais que eu vou ali babar-me para duas canecas em cinza que comprei para beber o meu chá de Camomila com rosas e frutos vermelhos em cama de canela, acompanhado de trufas negras da Patagónia. 

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 Estas andorinhas têm que vir cá para casa. 

 

 

 

11
Abr16

Tenho inveja e depois?! Pelo menos admito.


O Unicórnio

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Anda para aí uma moda de estar grávida de nove meses e ter os abdominais definidos e continuar a pesar 50 quilos.

Anda aí uma moda de ter um bebé e passadas 24 horas estar-se pronta para correr a maratona.

Anda para aí uma moda de continuar magra e maravilhosa depois de ter um bebé. 

Olhem, sabem o que vos digo?! Ide pastar borregos. Tive o meu Francisco há nove meses e ainda parece que estou grávida de cinco. Mas esta gente toma que droga? Onde é que se vende? É que se for legal também quero! 

08
Abr16

A Joana Vasconcelos é um coração d´ouro e ninguém percebeu isso. PARTE I


O Unicórnio

 

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Acho muito fofo a artista plástica Joana Vasconcelos ter dito numa entrevista à RTP que escolheria levar as suas inúmeras e coloridas lãs, caso tivesse que abandonar a sua casa, o seu país e partir como refugiada de guerra. É uma queriducha a Joana.

Imagino-a numa tenda de campanha juntamente com milhares de outros refugiados e a Joaninha ao canto da tenda a tricotar casaquinhos de lã para todos e a cantar o "Jingle Bells, Jingle Bells" em voz baixinha, enquanto enrola o cabelo nos dedos e o come.

Esta Joaninha é uma queriducha, um amor, uma altruísta. Não percebo porque a massacram tanto. 

06
Abr16

Até sempre.


O Unicórnio

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Fui a casa da Lídia e do Carlos. Pais do Vasco. Receberam-me com a dor inimaginável de quem perdeu um filho, uma dor que não é deste mundo, não pode ser deste mundo. O tempo para eles estacionou no dia em que o Vasco lhes morreu e é nesse dia que viverão até a ele se juntarem, um dia. Nessa ânsia viverão, presos nessa saudade.

Ofereci-lhes a única coisa que tenho para dar; apoio, disponibilidade para qualquer coisa que precisem. Sei que nada de mim quererão, nem de mim nem de ninguém.

Não fui com lágrimas, não são as lágrimas o medidor da nossa dor e pesar, não medem o quanto sofremos ou gostamos dos outros. Visitei-os com uma palavra de esperança, de vida, de relembrar bons momentos, de continuidade.

Abracei a Lídia com força, disse-lhe que deveria sentir-se orgulhosa do filho, do rapaz que é amado por muitos familiares e amigos, que ninguém o esquecerá e que os anos que viveu foram anos em que foi feliz, e fez feliz quem o rodeava e isso, é viver em pleno.

Sábado o Vasco chegará à aldeia. Será recebido por muitos que  o choram, que o amam. Depois voltará para casa, repousar no colo da sua mãe e do seu pai. Para sempre.

 

Ana 

06
Abr16

Adivinhem lá quem é que tem pavor de ir ao Senhor Doutor!


O Unicórnio

O mêrapaz só vai ao médico se for ameaçado ou então, se estiver mesmo preocupado com alguma coisa. Quando tem uma consulta, dias antes começa a hiperventilar, a ter insónias, vómitos, ataques de ansiedade e fica temperamental que não se aguenta.

Ontem foi dia de consulta. Eis que chega a sua vez,  mêrapaz olha para mim, abraça-me e diz com voz embargada;

Mêrapaz - Adeus amor. Cuida bem do Francisco.

Unicórnio - Estás parvo!? Pára lá de me abraçar e vai que o médico já te chamou!

Mêrapaz - Adeus amor...

E lá foi ele, sempre de olhos postos em mim e no filho, com ar triste e amedrontado. 

 

Conclusão: um metro e noventa e quatro e tanto medinho.

Ai mêrapaz, mêrapaz..

05
Abr16

Hoje fomos ao peso. Aliás, foi Francisco porque para me pesarem só numa balança industrial.


O Unicórnio

Há pouco no Centro de Saúde durante a consulta dos nove meses do Francisco; 

Dr. Tiago - Como está a alimentação do Francisco? 

Unicórnio - Dou-lhe quase tudo o que está recomendado para esta idade.

Dr. Tiago - Come bem a carne, os vegetais...?

Unicórnio - Sim, sim, uma maravilha.  

Dr. Tiago - Nota que faça alergia a algum alimento?

Unicórnio - Não, até agora tudo bem. 

Dr. Tiago - E diarreia, tem feito?

Unicórnio - Não, tudo normal. 

Dr. Tiago - Ele é um grande rapaz ! 

Unicórnio - Sai ao pai. 

Dr. Tiago - E nota que ele seja intolerante alguma coisa? 

Unicórnio - À fome. Ele é intolerante à fome. 

 

03
Abr16

Porque é que as mães falam tanto sobre cocó?!


O Unicórnio

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 Até há nove meses atrás não percebia porque é que as mulheres com filhos adoram falar sobre o cocó dos bebés. Agora entendo-o, sou solidária com o tema, acérrima defensora da diária visualização do dito e sua posterior verbalização para o mundo.

Quando o Francisco nasceu, nos primeiros dias de vida o que lhe saía pelo rabo era uma mistura de baba de alien com geleia real fora de prazo. Preto,  escorregadio, de consistência pegajosa e assustadora. Quando mudei a primeira fralda, soltei um grito agudo e prolongado (aiiiiiii!), pois nunca tinha visto um cocó tão gótico, tão vampírico, parecia um cocó saído dos contos do Edgar Allan Poe. A enfermeira na maternidade logo me descansou, explicando que aquele cócó era o mecónio, as primeiras fezes do bebé. Bem, o que é certo é que nos primeiros meses o Francisco fazia cocó 36 vezes por dia, e eram 36 fraldas que eu analizava, cheirava, visualizava microscopicamente e só depois, lixo!

Aos quatro meses quando o Francisco começou os sólidos e a experimentar diversos pratos, entre outros, feijoada, couves com feijão, entremeada com arroz de feijoca, petingas fritas, açorda de camarão, souflé de bacalhau em cama de espinafres ou até aveludado de espargos com pescada em molho de trufas negras da Patagónia, a coisa começou a complicar-se. Deixou de fazer cocó diariamente. Uma tragédia. De vez em quando tínhamos que recorrer ao bebegel e a coisa dava-se. Quando fazia cocó sozinho eu ficava tão contente que agarrava no Francisco e dançávamos o Kumbaya de frente para o espelho. Logo de seguida, ligava para o mêrapaz a dar a boa nova.  Era assim que se processava a conversa;

Unicórnio - Olha, fez cocó sozinho!

Mêrapaz - De que cor?

Unicórnio - Verde.

Mêrapaz - Claro ou escuro?

Unicórnio - Claro.

Mêrapaz - Mole ou duro?

Unicórnio- Assim assim, come si come sa.

Mêrapaz - Cheirava mal?

Unicórnio - Um horror.

Mêrapaz- Chorou?

Unicórnio – Não, mas fez muita força.

Mêrapaz – Quanta força?

Unicórnio – Tanta como daqui à Austrália.

Mêrapaz -  Ena pá. Isso é muita força.

Unicórnio – Pois é, é muita força.

 

Há pouco tempo não fez cocó durante três dias. Os meus pais, também preocupados, ligavam-me de manhã e à noite para saber se havia fumo branco.

 Avós – Então filha, novidades?

Unicórnio – Nenhumas.

Avós – Ainda não fez cocó?

Unicórnio – Ainda não.

Avós – Coitadinho, deve doer-lhe a barriga.

Unicórnio – Não se queixou, mas hoje tenho que recorrer ao estímulo rectal.

Avós – Ai, coitadinho.

Unicórnio – Tem que ser.

Avós – Mas se não faz há três dias deve ter cólicas daqui até à Austrália!

Unicórnio – Daqui até à Austrália não que é longe, mas se não fizer cocó até amanhã,  terá dores daqui até ao Reguengo do Alviela.

 

Nessa noite e depois de uma fralda cheia de substância e sem recurso a bebegel, liguei aos meus pais a comunicar a boa nova. Do outro lado, ouvi um enorme estrondo seguido de gritos histéricos. Para comemorar o feito, abriram uma garrafa de Moet & Chandon, soltaram o fogo de artíficio, e puseram no gira discos o single do Andrea Bocelli , “Hallelujah”.

 

Quando vou para o social, beber um café ou simplesmente fazer uma caminhada com uma amiga, a conversa principal e sempre mais importante é sobre o cocó do Francisco.  

 Amiga – Então Unicórnio, como estão?

Unicórnio –O Francisco fez um enorme cocó esta manhã.

Amiga – Combinei contigo este café porque tenho algo para te contar. Vou emigrar para a Suiça. Fui despedida.

Unicórnio – Se tu visses! Era enorme, caraças. E – NOR – ME!

Amiga - ... estou sem trabalho e preciso de pagar a renda.

Unicórnio – Verde e denso, foi da sopa de brócolos, só pode. Ele adora brócolos.

Amiga – Parto esta madrugada, estarei sem vir a Portugal um ano.

Unicórnio – Vê lá tu que não fazia cocó há dois dias! Mas hoje fez cocó, um grande e bonito cocó!

Amiga – Ando também com uma dor nos rins e fiz uma ecografia e o diagnóstico não é bom ...

Unicórnio – Até tirei uma fotografia e tudo, olha aqui! Encaracolava nas pontas e tinha duas cores, não é giro?

 A importância do cocó é inegável. Se for um cocó saudável, é porque o bebé está saudável e para uma mãe, não há nada mais importante e prioritário do que isso. Pode parecer estranho esta atenção quase obsessiva das mães pelo cocó dos filhos, mas minhas pessoas, ele é mais importante do possam pensar.

Falando nisso, vou vestir uns dos fatos de astronauta da Área 51 e mudar a fralda ao Francisco. Ontem pela primeira vez comeu couve. Não são precisos pormenores. 

 

01
Abr16

Uma noite do caraças. PARTE I


O Unicórnio

Ontem dediquei parte da minha noite às memórias, lembrando situações cómicas vividas com amigos e dei por mim a rir, sozinha. A morte do Vasco fez-me pensar nos amigos de longa data e no que já vivemos juntos. Afinal, no nosso fim, naquele que calha a todos, na velhice ou não, somente isto perdurará; memórias.

Entre muitas outras, recordei uma noite de há dois anos atrás em que decidi com três amigas, ir jantar fora e de seguida,  abanar as peles para a discoteca. Coisa rara, pois desde que casei que este corpo esguio e elegante (glup!) se entrou numa discoteca duas vezes, foi muito.

Doidas por termos deixado os homens em casa, decidimos num ato de extrema loucura ir para uma cidade que fosse deveras cosmopolita, onde pudéssemos respirar a agitação noturna, adrenalina, onde víssemos gente gira, bem vestida e diferente e que nos oferecesse uma noite inesquecível. Para onde fomos? Adivinhem lá! Santarém. Pois. Riam-se à vontade pessoas, riam-se. A única vivalma na cidade naquela noite, deambulando pela rua, era um senhor meio bêbado a fazer chichi atrás de um poste. De resto? Um deserto. Ai Santarém, Santarém, onde escondeste o vigor de outrora? 

Fomos jantar à taberna Ó Balcão. Comemos e bebemos que nem alarves, mas alarves de saltos altos. Enchemo-nos de farinheira, chouriço, pão, sangria, entremeada, sangria, omelete de farinheira, sangria, pão de milho, sangria e para sobremesa, vinho da casa misturado com sangria.   

Ficámos bem dispostas e anafadas, um pouco coradas e faladoras, coisas típicas de um jantar com quatro trintonas / quarentonas que nunca saem de casa e que têm muitas vezes, por companhia, a revista Burda de 1978.

A minha amiga Adriana Lima no fim do jantar, pasmem-se, teve que abrir dois botões das calças para conseguir mexer as pernas. Foi uma noite dura para a Adriana, tive pena dela, coitadita. Tinha ido nessa tarde fazer o buço e ficou com uma reação alérgica na bigodaça, mas nem isso a impediu de ir jantar. Os amigos são assim, mesmo com o beiço inchado não se negam aos apetites. 

Findo o repasto, decidimos ir para discoteca. Optámos pela Respublica, um espaço relativamente novo de uma colega minha da faculdade. Entrámos e sentámo-nos as quatro lado a lado numa chaise longue que estava na entrada. Para nos ambientarmos ao espaço e entrarmos no ritmo da noite, fomos buscar bebidas e sentámo-nos a conversar. Meia hora depois, estranhámos não entrar mais ninguém, só os funcionários do bar. Continuámos a beber e a confraternizar e cada vez mais a alegria se instalava. 

A minha amiga Xanuka de Albuquerque que é fanhosa, (este pormenor pode não parecer importante para o texto, mas é), levantou-se e dirigiu-se a um porteiro para tentar perceber porque raio é que a discoteca estava vazia.

A pobre coitada voltou num pranto desmedido. As lágrimas corriam-lhe pelo rosto de par em par.

- Que se passou Xanuka, fofa? - perguntou-lhe Pureza de Almeida (outra das minhas amigas, fina que só ela). 

- ´Erguntei-lhe orque é que insto ava azio e ele iu-se. Ata a ozar omigo por er anhosa´ - respondeu a Xanuka. Traduzindo; Perguntei-lhe porque é que isto estava vazio e ele riu-se. Estava a gozar comigo por ser fanhosa. 

Epá, ouvindo isto, senti-me a ferver. Levantei-me cheia de revolta, toda eu borbulhava, dirigi-me ao porteiro e disse-lhe de dedo em riste: 

- Ouça lá meu menino, aquela moça (apontei para a Xanuka), perguntou-lhe porque razão a discoteca estava vazia e o senhor riu-se?! Não sabe que não se deve  fazer pouco das fragilidades dos outros?! 

- Ó minha senhora, ri-me porque são dez da noite. Queria ter a discoteca cheia a esta hora?! 

Virei-lhe as costas, meti o rabo entre as pernas e desapareci envergonhada por entre as brumas. Dez da noite e nós à espera que a pista abrisse.  

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