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O Unicórnio

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O Unicórnio

23
Set16

Quando andava no colégio, olhava para as irmãs e imaginava que roupa interior usariam


O Unicórnio

Preâmbulo: Esta aventura aconteceu. Passou-se no colégio religioso que frequentei durante alguns anos, e entre tantas outras peripécias que tenho para contar, ainda esboço um sorriso quando relembro este dia. Não tenho grandes saudades daquele estabelecimento de ensino, mas foi nele que vivi as situações mais insólitas e cómicas de sempre. Aqui vai a primeira.

 

Quando olhava para as irmãs imaginava que roupa interior usariam. A bata de fazenda preta até aos pés era demasiado austera e sempre admiti a hipótese, que talvez pudessem usar lingerie do demo por baixo de tanta piedade.  Seria de renda, com atilhos, berloques e de cores vibrantes, ou vestiam cuecas até ao pescoço cor de pele e soutien até aos joelhos a segurar as mamas? Não sabia, mas estava disposta a descobrir.  

E era nisto que coagitava quando uma freira ralhava comigo ou me chamava à atenção.  Para me abstrair da descompostura, olhava-as fingindo que as ouvia, imaginando o que vestiriam debaixo daquelas sacas de batatas cortadas a direito. Claro que não aguentava o riso e para além de uma descompostura, levava duas. 

 

No recreio, durante uma manhã senti-me mal. Esbardalhei-me por duas vezes de tão zonza, (sempre fui propensa a esta mariquice de ter tensão baixa), e as irmãzinhas, preocupadas comigo, conversaram entre si, decidindo colocar-me a descansar nos seus aposentos. Bingooooooo!!! Estava ali a oportunidade de uma vida, caraças!

Obviamente que pintei o quadro bem pior do que era, fiz-me de muito combalida e doentinha e fui levada a braços pelo canhão da irmã Conceição.

A irmã Conceição, mulher de compleição física bastante larga e rude, possuia a força de um toiro e a teimosia de uma mula. Tinha uma bigodaça negra bem farfalhuda que lhe emoldurava o rosto e óculos fundo de garrafa. Era bruta que nem uma égua, antipática que só ela, mas era das minhas favoritas. Lá no fundo, bem no fundinho, era boa rapariga.

-“Vais para este quarto e descansas”, disse-me. O quarto, pequeno e com cheiro a restaurador de móveis estava na penumbra. Só uma vela em cima de uma secretária apinhada de papéis, iluminava um pouco as paredes e a cama. Deitei-me. Aproveitei o facto de estar a faltar a uma aula (coisa que NUNCA acontecia, excepto por motivos de doença) e deixei-me estar. Coitadinha de mim, frágil e combalida, mas aquele era o momento para descobrir que roupa interior vestiam aquelas irmãs. Quantas oportunidades teria? Nenhuma.

Porra. Não me conseguia mexer. Faltava-me a coragem de ir cuscar, de revolver o que não era meu e por grande que fosse a minha curiosidade, superiores eram os valores que me tinham incutido. Não fiz nada. Fechei os olhos e adormeci.

- “Filha, acorda que já é hora de almoço”. Lá estava ela, a irmã Conceição, a olhar-me de pé. Tinha aberto as janelas e a luz entrava no quarto de rompante. Sentia-me bem melhor e o “chilique” tinha passado à história. Olhei em volta.

Ó diabo!!! Que é isto?!

Uhlálá!

Uma corda fininha, esticada de uma ponta a outra do quarto, tinha nela penduradas uma série de roupa interior (julgo que o pudor da religião não permitia que estendessem roupa no exterior). Não precisei de ir calhandrar, de mexer em coisas alheias, estava ali o Santo Graal, bem visível.

Olhei, sorri, baixei a cabecinha enquanto um esgar se soltou dos meus lábios. Fiquei com as dúvidas esclarecidas e tenho a certeza que Deus não me castigou pelo meu pequeno acto de rebeldia. Tenho a certeza que hoje quando me rio, também ele se ri.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ah! Nada de especial. Era tudo cor de pele até à cintura e soutiens que mais pareciam paraquedas.

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