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O Unicórnio

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O dia a dia de um Unicórnio. Suas inspirações, aventuras e desaires.

O Unicórnio

17
Jan16

Quem bebe junto, fica junto para sempre. Ó mãe, tu não leias isto, hein!


O Unicórnio

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Numa conversa com o mêrapaz ao jantar (couves com feijão (da mãe) regadas com azeite de Casével (da sogra), pão caseiro de Alpiarça (do Intermarché) e chá de camomila (da Tetley)) sobre as nossas férias, recordámos  um dos nossos verões e uma peripécia que ainda hoje, faz rir os nossos amigos e que partilho aqui no blog.

Há mais de dez anos, fomos de tenda para Vila Nova de Milfontes e ficámos no parque de campismo que estava naquela altura (pleno Agosto), lotado com festivaleiros que iam para o sudoeste.  

O ambiente era de bradar aos céus; gritaria, berros e bufas toda a noite, guitarradas e cantorias todo o dia e ao final da tarde a coisa lá amainava, pois metade do parque ou estava  em coma alcoólico ou com a moca.

Na nossa terceira noite, resolvemos apanhar um valente pifo (somos assim, quando chega a noite e não temos nada para fazer, entramos em coma alcoólico) e partilhar do ambiente envolvente que se vivia naquele lugar.

No fim do banhinho tomado e bezuntados com Nívea After Sun, dirigimo-nos para o bar do parque de campismo que era maioritariamente frequentado por pessoas com ar de pertencerem ao coro de Santo Amaro de Oeiras.

O barzito estava à pinha. Todos os cocktails tinham o preço único de 1€ e divertidos,  bebemos e conversámos até ao início da madrugada. Cada um consumiu o que aguentou e sentíamo-nos estranhamente bem dispostos e sãos; a língua não enrolava, o chão não estava desnivelado e conseguíamos olhar sem desfoque. Até que nos levantámos para ir para a tenda. O caminho para a tenda era estreito e irregular, atravessando todo o parque. De ambos os lados era rodeado de tendas,  um passo em falso e cairíamos em cima de alguma.

Passados uns dez minutos comecei a sentir-me zonza, mal disposta e sem equilíbrio e avisei o meu namorado (agora marido) que a coisa estava mal e que não conseguia aguentar-me nas pernas. Nem acabei a frase e fiquei de joelhos com a boca cheia de terra, pois isto de estar bêbado e conseguir controlar olhos, boca, mãos, braços, pernas e a fala, é difícil e alguma coisa tem que ficar para trás. Quando olhei para o lado, já o moço tinha caído para cima de uma canadiana familiar e estava enrolado nos cordéis de um estendal da roupa, lutando para se levantar.

Os dois de gatas, percorremos todo o parque de campismo à procura da nossa tenda que teimava em não aparecer, a grande bicha.

Quase uma hora depois e ambos cada vez mais desnorteados, finalmente encontrámos a dita. Como é óbvio, tentámos nela entrar, mas o simples acto de juntar o polegar e o indicador para abrir o fecho, era gesto impossível. Nem eu nem o mêrapaz tínhamos tento naquele momento para conseguir abrir o pano de entrada. Tentámos, tentámos e tentámos até que me lembrei do óbvio, do evidente, do incontestável ; escavar um buraco. Foi o que fizemos.

Para eu conseguir entrar um pequeno buraquito serviu, quando foi a vez do mêrapaz, a coisa complicou pois 1,94 cm e 100 kg não entram por um buraquito qualquer, pois não, não entram. Cavámos e cavámos e cavámos (sempre com as mãos) e quase de manhã, finalmente entrámos na tenda e adormecemos no chão.

No dia seguinte, fomos acordados por três vigilantes do parque de campismo que estavam boquiabertos e absortos com a visão aquele enorme buraco. Saímos da tenda ainda cheios terra e com a roupa rasgada e foi-nos perguntado qual o motivo daquele enorme buraco . Justifiquei da seguinte forma;

- Foi um meteorito meus senhores, foi um meteorito.

08
Abr15

Aí está! Ode ao verdadeiro campista.


O Unicórnio

Durante quase vinte anos que eu e a minha família, passámos férias em Peniche no parque de campismo. Escusado será dizer que eu e a nha`irmã, adorávamos os verões cheios de sol e liberdade ao ar livre. Estar no parque era como estar com amigos. Todos nos conheciam e tomavam conta uns dos outros.

 

O ritual era sempre o mesmo;chegávamos, demorávamos dois dias a montar a tralha e desfrutávamos dos três meses.  Eu e a nha´irmã, já mais crescidas, passávamos os dias na praia com os nossos amigos e os meus pais, não tão adeptos de areia e de sol, preferiam descansar e passear.

 

Éramos campistas, mas não completos campistas. Éramos campistas  “assim-assim”. Havia sim, uma classe superior de campistas que eu admirava, dado a paixão e dedicação com que se entregavam àqueles dias de ócio.

 

Eram os campistas “à séria”.  Calçãozito pelo joelho, chinelo “Summertime” e a enorme barriga a passer ao sol. Por vezes, usavam um chapéu de palha com a fitinha da Ilha da Madeira, óculos de aviador e quase todos tinham a unha do mindinho bem crescidota, não fosse o comichão no rego dar sinal.  Era ouvi-los, a falarem alto, satisfeitos, a coçarem a pança e o escroto, e de vez em quando, bafejavam o litoral com um belo de um traque suavemente levado pela brisa de Agosto.

 

De manhã, levantavam-se bem cedo e faziam a higiene nas casas de banho do parque. Lá iam eles, os doutores, todos empertigados com o belo do rolo do papel higiénico debaixo do braço (para todos saberem que iam fazer cocó), e na outra mão,  o belo do balde de plástico transparente que continha os chichis e os cócós de toda a família. Sim, porque isto de andar a caminhar para o wc de madrugada é uma chatice!

 

O campista “à séria”, depois da higiene, toma o pequeno almoço com a família no interior da tenda. É pão, é queijo, são tostas e sumos, preparados tal e qual como em casa. De ressalvar que o campista “à séria”quando vai de férias, leva a tralha toda atrás, sem se esquecer do vaso das flores e da antena parabólica. Sei que ainda existem neste parque, roulottes que têm caixas do correio, pavimento exterior em azulejo, cozinhas totalmente equipadas, e televisores plasma.

 

Os preparativos para o almoço, começam logo a seguir à primeira refeição da manhã.  Às dez, já o foguereiro está aceso e o cheiro a pimento a pairar no ar. O dito campista, com a bela mini na mão, grita para o vizinho da frente os resultados do futebol da noite anterior e a meio da conversa, combina uma cartada lá para o final da tarde na sala de convívio. É vê-los bem redondinhos e vermelhos a jogar às cartas, enquanto os netos brigam uns com os outros para ver quem é o primeiro a “atirar ao gato”. Literalmente.

 

Este campista, nunca vai à praia. NUNCA. Nunca sai do parque. NUNCA.  É ali, naquela área geográfica que se movimenta e sente seguro.  Normalmente, passa as tardes na esplanada da tenda, a comer tremoços e a coçar os pés um no outro.

 

De noite, é aquele que não deixa dormir os vizinhos do lado. Por todo o parque, ecoam na madrugada os roncos profundos vindos do campista “à séria” que ignora os gritos do exterior que o mandam calar. O campista, este campista,  é livre. É senhor da sua roulotte (ou tenda), é alheio a todos os problemas do mundo, centrado só em si e no seu bem estar. O campista, este campista, é feliz com a sua barriga, com o facto de ter que fazer cocó num balde. É fiel aos seus hábitos e jamais se vergará aos novos campistas modernos de alpercatas e franjas que vão de Quechua, armados ao pingarelho.

 

PESO DA BARRIGA.jpg

 

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